Equipa de Planeamento da Pintura
Antes da mudança, está o planeamento
Texto: Ana Cardoso (AGK1)
Fotografias: Luís Viegas
Na fábrica, há mudanças que começam muito antes de serem visíveis. Quando uma nova cor entra em produção, quando um novo modelo é lançado ou quando um equipamento tem de ser completamente transformado, há uma equipa que já está a trabalhar nessa mudança muito antes de ela chegar às linhas. É a equipa de Planeamento da Pintura.
O seu trabalho é preparar a área para aquilo que vem a seguir, garantindo que cada alteração acontece no momento certo, com o menor impacto possível na produção e sem comprometer aquilo que não pode falhar: qualidade, eficiência e segurança.
Lê aqui
-
Equipa de Planeamento da Pintura: antes da mudança, está o planeamento
- 1.
-
Da esquerda para a direita: Mário Silva, João Ferreira, Joaquim Dias, Jeldrik Axmann, Pedro Lourenço, Sérgio Marques, Sérgio Dias.
Ausente na fotografia: Alessandro Rossi.
O futuro começa a ser planeado anos antes
A chegada de um novo modelo à fábrica não começa quando o primeiro carro entra na linha. Na Pintura, o trabalho pode começar 3 a 4 anos antes da introdução do modelo em série.
É nessa fase que começam a ser feitos os primeiros estudos, definição das equipas, as reuniões com diferentes áreas da fábrica e com o Planeamento Central em Wolfsburg e os contactos com potenciais fornecedores.
É também o momento de começar a responder a algumas das perguntas mais importantes: Que alterações serão necessárias? Que equipamentos terão de ser instalados ou modificados? Que impacto terão na produção? E quanto será necessário investir?
Muito antes de existir uma decisão final, o Planeamento já está a estudar cenários e a preparar os argumentos que permitem tornar cada projeto possível.
Nem todas as mudanças são iguais
Uma das particularidades do Planeamento da Pintura é a enorme variedade de projetos que acompanha.
Uma alteração pode surgir devido a uma mudança de engenharia durante a produção, a um novo Model Year, à chegada de um novo modelo ou a um Facelift. Mas também pode nascer dentro da própria fábrica, para aumentar capacidade, melhorar a ergonomia ou introduzir novas formas de automação.
Há ainda alterações que não dependem diretamente do produto: mudanças na legislação podem obrigar a transformar equipamentos e instalações para garantir que a fábrica continua a cumprir todos os requisitos.
Cada situação exige uma solução diferente. E é precisamente aí que entra o trabalho de avaliação, projeto e implementação desenvolvido pela equipa.
Quando a produção continua, o planeamento não pode parar
Planear uma alteração numa área produtiva em funcionamento é um verdadeiro exercício de equilíbrio. É necessário perceber o impacto da mudança no processo, avaliar as necessidades de mão de obra, estudar as condições ergonómicas, identificar obras e alterações de infraestruturas e, sobretudo, perceber quando será possível executar os trabalhos.
Por vezes, é necessário aproveitar uma paragem de produção para realizar intervenções mais profundas. É nesse momento que o Planeamento passa do estudo à ação: as alterações são implementadas, os equipamentos são testados e a capacidade e funcionalidade são validadas.
Outras mudanças, porém, têm de acontecer com a produção a decorrer. É o caso de determinadas alterações de engenharia, como a introdução de novas cores, que podem acrescentar valor ao produto sem exigir uma paragem da linha.
Em qualquer implementação, existem indicadores que orientam o trabalho da equipa.
Qualidade. Tempo de ciclo. Prazo. Ergonomia.
A alteração pode ser tecnicamente possível, mas isso não chega. É necessário garantir que o produto mantém os níveis de qualidade exigidos, que a produção consegue cumprir o tempo de ciclo, que o projeto é implementado dentro dos timings definidos e que as condições de trabalho dos colegas são asseguradas. É este equilíbrio que transforma uma alteração num projeto bem-sucedido.
Uma equipa que liga muitos mundos
Na Pintura, poucas mudanças acontecem de forma isolada. Um projeto pode envolver fornecedores, Infraestruturas, IT, Produção, Planeamento Central, Ergonomia, Segurança, Engenharia Industrial e Qualidade, entre muitas outras áreas.
O Planeamento assume aqui um papel de coordenação: garantir que todos conhecem o seu papel, que as decisões são tomadas no momento certo e que o projeto avança de acordo com os critérios definidos. É uma função que exige conhecimento técnico, mas também capacidade de comunicação, antecipação e gestão de diferentes interesses.
Quando tudo corre bem, quase ninguém dá por isso
Talvez esta seja uma das maiores particularidades do Planeamento. O sucesso de um projeto mede-se muitas vezes pela ausência de problemas. Se o equipamento entra em funcionamento no momento previsto, se a produção não sofre impactos significativos, se o tempo de ciclo é cumprido e se a qualidade se mantém, o resultado parece simples. Mas, por trás dessa aparente simplicidade, estão meses ou anos de estudos, reuniões, cálculos, decisões, testes e coordenação. É esse trabalho antecipado que tem de existir para maximizar as probabilidades de não existir alterações que alterem o ritmo de produção da fábrica.
Preparar a próxima mudança enquanto a atual ainda está a acontecer
Para a equipa de Planeamento da Pintura, a transformação não é um momento isolado. É um processo contínuo. Enquanto uma alteração está a ser implementada, já existem estudos para a próxima. Enquanto um novo equipamento começa a funcionar, estão a ser avaliadas novas soluções para aumentar capacidade, introduzir automação ou melhorar processos. E enquanto a fábrica produz hoje, o Planeamento está já a preparar aquilo que será necessário para produzir amanhã.
Porque, na Pintura, o futuro não chega de repente. É construído, camada após camada, muito antes de se tornar visível.
Social Media